Por que a Análise de Dados Importa
As ferramentas de treinamento atuais nos fornecem mais dados do que nunca. Mas os dados só são úteis se soubermos como usá-los.
Nossa plataforma, a COROS Training Hub, mostra tudo e sinaliza quando um atleta está mantendo seu nível, se recuperando ou progredindo rápido. Mas, para fazer bom uso dela e de tantas informações você precisa primeiro fazer as perguntas certas:
- Suas zonas de treinamento são precisas?
- Você está analisando os dados em contexto?
- Você está distinguindo entre tendências que são simplesmente correlacionadas e aquelas que realmente impulsionam o desempenho?
Neste artigo, abordaremos os princípios básicos do uso de seus dados de treinamento para tomar decisões mais inteligentes.
Comece com Dados Precisos: Defina Suas Zonas
Antes de começar a analisar os treinos, certifique-se de que suas zonas de treinamento estejam corretas. Essas zonas moldam a forma como seus dados são interpretados — se estiverem incorretas, suas conclusões também podem estar.
O COROS EvoLab atualiza automaticamente suas zonas com base nos dados de treinamento recentes. No entanto, as atualizações só acontecem quando há informações suficientes. Se o EvoLab não ajustou suas zonas há algum tempo é provável que não haja dados suficientes para fazer uma alteração precisa. Corridas e provas com limiares mais longos geralmente fornecem a melhor base para o EvoLab trabalhar.
Se você não tiver certeza se suas zonas estão precisas a melhor opção é realizar um Teste de Nível de Corrida diretamente no seu relógio. Este teste pede um ritmo progressivo, portanto, antes de realizá-lo garanta que não há provas próximas no seu calendário.
Você também pode ajustar as suas zonas manualmente se tiver resultados de testes de laboratório externos, provas de tempo ou outros parâmetros confiáveis.
Para manter as zonas atualizadas treine em seu ritmo de limiar, faça intervalos longos, provas... e agende um Teste de Nível de Corrida periodicamente.
Anatomia dos Seus Dados de Atividade

Para encontrar tendências você precisa saber onde procurar. Na COROS Training Hub cada atividade possui camadas de dados que você pode explorar:
1. Principais Métricas: Informações importantes como Distância, Duração, Ritmo, Ganho de Elevação, Carga de Treinamento e muito mais.
2. Gráficos Personalizados: Gráficos interativos que mostram Ritmo, Frequência Cardíaca, Cadência, Elevação e muito mais.
3. Seções do Gráfico: Clique e arraste para ampliar seções específicas do gráfico e identificar onde as tendências aparecem.
4. Voltas e Parciais: Divida cada métrica em intervalos ou marcadores de distância para comparar repetições.
Essas ferramentas permitem visualizar o desempenho e destacar as principais relações entre as variáveis.
Correlação vs. Causalidade
Ao analisar dados de atletas as perguntas mais importantes a serem feitas são: "Por que estou observando essa tendência? O que a causou? Devo ajustar o treinamento com base nessas informações?"
A correlação ocorre quando duas variáveis se movem juntas. Por exemplo, ritmos mais rápidos podem estar correlacionados com o uso de um novo par de tênis, mas isso não significa que os tênis causaram a melhora.
Causalidade significa que uma variável influencia diretamente a outra. A verdadeira causalidade é mais difícil de comprovar e geralmente requer uma investigação mais aprofundada.
Nunca presuma causalidade só porque duas coisas acontecem juntas. Sempre procure pistas contextuais antes de fazer alterações no treino.
Identificando Tendências que Importam
Encontrar insights valiosos é uma tarefa que geralmente começa isolando duas variáveis e analisando sua relação. Mantenha a simplicidade antes de adicionar mais camadas.
Comparações importantes para começar:
Ritmo vs. Frequência Cardíaca (Eficiência Aeróbica): Monitore como a Frequência Cardíaca responde a um determinado Ritmo. O atleta está mantendo uma FC mais baixa nos mesmos ritmos ao longo do tempo? Isso é um sinal de melhora aeróbica.
Ritmo vs. Cadência (Eficiência Mecânica): Verifique como as tendências de cadência diferem entre corridas leves e esforços mais intensos. Além disso, observe as mudanças ao longo da distância — a cadência cai após 60 minutos? Se sim, pode indicar fadiga mecânica ou a necessidade de corridas mais longas.
Ritmo vs. Elevação (Impacto do Terreno): Avalie o quanto o pace diminui em subidas. Adicionar uma terceira variável, como Potência, pode enriquecer a narrativa sobre os níveis de esforço, especialmente para atletas de cross-country e trilhas.
Dica profissional: Após um acampamento de treinamento em altitude, monitore as alterações na Frequência Cardíaca, Frequência Cardíaca em Repouso e VFC para medir a adaptação.
Reconhecendo Relações nos Dados
Depois de identificar uma tendência, determine qual o tipo de relação:
Linha Divergente (Relação Negativa): Quando a Frequência Cardíaca aumenta e o Ritmo diminui a eficiência está ficando comprometida. Comum em corridas de início de temporada, condições de muito calor ou cansaço por acúmulo de carga.

Linhas planas + movimentos correspondentes (relação positiva): Quando a frequência cardíaca e o ritmo se movem juntos isso demonstra boa eficiência aeróbica — se esse for o objetivo do treino. Compare isso com a intenção da sessão.

Sempre combine o que você vê nos dados com o contexto do treino e a fase de treinamento do atleta.
Aplicando Dados ao Treinamento
Compreender correlações, causalidades e tendências permite que os treinadores possam ir além de padrões e suposições. Em vez de pensar: "A frequência cardíaca do meu atleta estava alta hoje", faça perguntas mais profundas:
- Ele estava desidratado?
- Ele estava mentalmente fatigado?
- Ele começou muito rápido?
- Tínhamos um clima mais quente ou mais subidas do que o normal?
Responder a perguntas como essas ajuda você a aplicar os dados para tomar uma decisão. Se a frequência cardíaca do atleta estivesse alta e ele estivesse desidratado você poderia dizer a ele para beber mais água em vez de ajustar seus ritmos de treinamento futuros.
Conclusão: Fazendo os Dados Trabalharem a seu Favor
Mesmo os melhores dados são tão valiosos quanto a interpretação por trás deles. Os insights mais impactantes não vêm da coleta de mais números — eles vêm de fazer perguntas melhores.
Ao identificar tendências, distinguir correlação de causalidade e compreender o contexto mais amplo os treinadores podem descobrir os verdadeiros impulsionadores do desempenho dos seus atletas. Os dados fornecem as pistas; cabe ao treinador conectar os pontos e transformar essas pistas em estratégias mais inteligentes e eficazes.
*Este artigo foi desenvolvido pela COROS Global em colaboração com Andrew Simmons, treinador principal da Peak Performance Running.
