COROS ATHLETE STORY | TRAIL RUNNING

A trajetória de Laurindo Nunes, atleta-guia que assumiu o protagonismo no trail, e os dados do COROS PACE Pro que ajudam a explicar uma performance sub-3 horas nas montanhas da Mantiqueira.

A montanha como teste de caráter

São Bento do Sapucaí amanheceu fria em 28 de março de 2026. A névoa sobre a Serra da Mantiqueira, a silhueta da Pedra do Baú e o silêncio das primeiras horas criavam o cenário de uma prova que costuma separar preparo de improviso. Às 5h59, Laurindo Nunes largou para 33,71 quilômetros, 1.738 metros de desnível positivo e uma responsabilidade que ia além do resultado: descobrir até onde sua preparação recente poderia levá-lo no trail running.

Laurindo não chegou ali como um estreante comum. Mineiro, acostumado à rotina de alto rendimento e ao papel de guia paralímpico, ele conhece a exigência de correr no limite com precisão, leitura de ritmo e disciplina. Como guia, conduz atletas com deficiência visual pulmão a pulmão, passada a passada. Na Indomit Pedra do Baú, porém, a condução era interna. A referência estava no próprio corpo, no terreno e nos dados acumulados durante semanas de preparação.

O resultado foi direto: vice-campeão dos 35 km da Indomit, abaixo de três horas, em apenas sua segunda experiência em provas de trail. Para entender essa chegada ao pódio, é preciso voltar quase dois meses e sair do Brasil. A chave da história está em Sopó, na Colômbia, a mais de 2.500 metros de altitude.

Sopó: o laboratório silencioso da performance

Em janeiro, Laurindo recebeu o convite do Comitê Paralímpico Brasileiro para acompanhar Jean Oliveira da Silva em um camp de altitude na Colômbia. A missão principal era atuar como guia e parceiro de treino de Jean, medalhista internacional nos 5.000 metros T12. Mas a oportunidade também abriu uma janela rara para a evolução individual de Laurindo: preparar a Indomit em um ambiente de hipóxia moderada, cercado por treinos de pista, montanhas e uma rotina de carga elevada.

Sopó fica na região de Cundinamarca, ao norte de Bogotá, e oferece uma combinação especialmente interessante para corredores: altitude alta o bastante para provocar adaptação fisiológica, terreno variado e acesso a subidas que ultrapassam os 3.000 metros. Para Laurindo, que vive em Senador Amaral, em Minas Gerais, a transição foi menos agressiva do que seria para um atleta vindo do nível do mar. Ainda assim, a primeira semana cobrou seu preço.

Nos primeiros dias, o treino foi simples e necessário: trotes leves, adaptação e escuta do corpo. Laurindo relatou cansaço, sonolência e os efeitos típicos da altitude, embora sem dores de cabeça ou sintomas mais severos. Foi uma semana de paciência. O corpo precisava entender o novo ambiente antes de absorver volume e intensidade.

A partir da segunda semana, a preparação mudou de escala. Pela manhã, treinos de pista. À tarde, subidas longas nas montanhas. O bloco colombiano chegou a semanas acima de 160 quilômetros, com mais de 3.300 metros de desnível positivo, e depois a números ainda mais altos: 171,38 quilômetros, 4.457 metros de ganho acumulado e 1.629 pontos de carga de treino. Esse foi o coração da preparação.

Período

Volume e carga

Leitura editorial

08 a 15 de fevereiro

Trotes leves e adaptação à altitude

Semana de transição, com foco em tolerar o novo ambiente sem antecipar intensidade.

16 de fevereiro a 1º de março

Mais de 160 km por semana, com alto desnível

Bloco de construção, no qual pista, montanha e altitude formaram a base competitiva.

Início de março

Redução por desconforto no quadril

Ajuste inteligente de carga para preservar a continuidade do processo.

09 a 22 de março

Retomada e afinação final

Treinos fortes, depois redução progressiva para chegar inteiro à prova.

 

Quando os dados confirmam a sensação

O mérito da preparação não está apenas nos números absolutos. O ponto mais importante é a coerência entre sensação, carga e resposta do corpo. Laurindo sentia que estava forte, e os registros do COROS PACE Pro sustentavam essa percepção. Durante o bloco mais pesado, a carga de treino subiu de maneira agressiva, mas o condicionamento físico também acompanhou a evolução, sinal de que o organismo estava absorvendo o trabalho em vez de apenas acumular fadiga.

Quando surgiu o desconforto no quadril, a leitura dos dados ajudou a tomar uma decisão menos emocional. Reduzir volume naquele momento não significava perder a forma construída. Significava proteger o investimento. A linha de condicionamento permaneceu elevada mesmo com a queda temporária da carga, mostrando que a base acumulada ainda estava ali.

Essa é uma das diferenças entre treinar muito e treinar bem. No alto rendimento, o relógio não substitui o treinador nem a percepção do atleta, mas organiza a conversa entre ambos. Ele mostra se o corpo está respondendo, se a carga recente está produtiva ou se a insistência começa a passar do ponto. No caso de Laurindo, os dados deram segurança para apertar quando era hora de construir e recuar quando era hora de preservar.

Um motor de atleta de elite

As métricas registradas no ciclo ajudam a dimensionar o nível competitivo de Laurindo. O app apontava Nível de Corrida 98.1, em uma escala de 0 a 100, com equilíbrio alto entre resistência, limiar, velocidade e sprint. Nas métricas básicas, o VO Máx aparecia em 66, o pace de limiar em 3min12s por quilômetro e a frequência cardíaca de limiar em 174 bpm.

O Preditor de Prova reforçava o mesmo retrato: 15min05s para 5 km, 31min04s para 10 km, 1h07min41s para meia maratona e 2h18min32s para maratona. Em uma prova plana, esses números já seriam expressivos. Em um trail com quase 1.800 metros de desnível positivo, eles não garantem resultado por si só, mas explicam a base fisiológica por trás da capacidade de sustentar esforço intenso durante horas.

 

Métricas do COROS PACE Pro: Nível de Corrida 98.1, VO Máx 66, limiar forte e projeções de prova compatíveis com alto rendimento.

O dia D: estratégia antes da força

Na manhã da prova, a ansiedade era natural. Laurindo havia voltado da Colômbia, enfrentado readaptação de fuso, mudança climática e a expectativa de testar no trail uma preparação intensa. A largada pedia cuidado. Sair forte demais em São Bento do Sapucaí poderia custar caro antes mesmo das principais subidas.

O primeiro quilômetro em 3min59s, com frequência cardíaca média de 152 bpm, mostra uma entrada controlada. Laurindo se posicionou entre os primeiros, mas sem transformar os minutos iniciais em disputa desnecessária. A estratégia era acompanhar o pelotão de frente, ler o terreno e gastar energia onde ela realmente importava.

A primeira grande subida foi o momento em que a Colômbia apareceu. Semanas de treinos em montanhas acima dos 3.000 metros criaram uma reserva física e mental para sustentar esforço em aclive prolongado. Enquanto parte dos adversários começava a sentir a combinação de inclinação, terreno técnico e duração, Laurindo mantinha controle. A frequência média da prova, 162 bpm, confirma a intensidade: foi uma corrida conduzida majoritariamente em zonas altas, mas sem colapso.

O ponto de virada

 

A prova se decidiu perto do quilômetro 27. Em uma descida mais técnica, um adversário atacou. Laurindo, ainda em processo de construção como atleta de trail, escolheu não descer no tudo ou nada. A prudência custou a vitória, mas também revelou com clareza o próximo campo de evolução. O motor estava pronto. A técnica fina de descida ainda precisava amadurecer.

Essa leitura é talvez a parte mais interessante da história. O vice-campeonato não aparece como ponto final, mas como diagnóstico. Laurindo saiu da Mantiqueira com medalha, tempo forte e uma compreensão precisa do que falta. Em vez de atribuir o resultado ao acaso, ele identificou o trecho decisivo, o tipo de terreno e a habilidade que precisa desenvolver para brigar por vitórias maiores.

No fim, foram 33,71 quilômetros em 2h59min12s, 1.738 metros de desnível positivo, frequência cardíaca média de 162 bpm, pico de 175 bpm, pace médio de 5min19s por quilômetro e potência média de 255 watts. A carga de treino da atividade chegou a 547 pontos, classificada como alta. São números que confirmam a dureza do percurso e a consistência da execução.

Dado da prova

Registro

Distância

33,71 km

Tempo total

2h59min12s

Desnível positivo

1.738 m

Frequência cardíaca média

162 bpm

Frequência cardíaca máxima

175 bpm

Pace médio

5min19s/km

Potência média

255 W

Carga de treino

547 TL

 

O futuro não tem teto

Laurindo Nunes saiu de São Bento do Sapucaí com uma medalha de prata, mas principalmente com um mapa. A preparação em altitude mostrou que ele tem capacidade de absorver volume alto. Os dados do COROS mostraram que o condicionamento respondeu. A prova mostrou que o desempenho em subida já é competitivo. E a descida técnica mostrou onde está o próximo ganho.

Há uma maturidade importante nessa conclusão. Atletas em ascensão muitas vezes procuram justificativas externas para o que faltou. Laurindo fez o contrário: reconheceu a força construída, valorizou o resultado e apontou com precisão o detalhe que separou o pódio mais alto do segundo lugar. Essa combinação de ambição e análise costuma ser o traço dos competidores que evoluem rápido.

O COROS PACE Pro não treinou por ele, não subiu montanha por ele e não decidiu a prova no quilômetro 27. Mas registrou o processo com clareza. Transformou sensação em evidência, fadiga em leitura, confiança em dado. Para um atleta que vive entre a pista, a montanha e a função de guiar outros corredores, essa clareza importa.

A história de Laurindo na Indomit Pedra do Baú é, acima de tudo, uma história de transição. O atleta-guia que já dominava o esforço no asfalto e na pista começou a descobrir seu espaço nas montanhas. A altitude colombiana construiu o motor. A Mantiqueira mostrou o caminho. O próximo capítulo será escrito nas descidas.

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